CRÔNICA - Vida após a morte
Conheço gente morta...
Ó, desculpe-me! Por mais tempos verbais que a língua portuguesa tenha, ainda é passível de ambiguidades. Ou talvez, devesse, eu, melhor me expressar.
Conheço gente morta, e, provavelmente, você também. Minhas condolências. Mas não é a isso que me refiro.
Conheço gente morta. São fenômenos. Essas gentes aparecem a mim.
Às vezes, geralmente à noite, ouço suas vozes; as vejo. Me tocam. Então conversamos.
Falam de suas angústias, seus amores, seus sofrimentos, suas alegrias. Compartilham de seus conhecimentos e experiências. Eu as ouço com atenção. Interrompo-lhes quando convém.
Essas gentes, almas penadas, vagam por aí. Estão por todas as partes.
Acredito que tudo o que elas querem é passar suas mensagens, para que continuemos o que não terminaram em vida. Ou, talvez, queiram apenas justificar-se de algo. Ou, ainda, só queiram estar mais um tempinho neste mundo; vagando, para que não se torne vago.
Quero ser como essas gentes. Por isso escrevo.
Ah, se eu pudesse, um dia, pessoalmente encontrá-las!
Danilo O'Lopes é estudante de jornalismo em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





