CRÔNICA - Viajante do tempo
Quando olho para os ponteiros do relógio, chego a esquecer, por momentos, que estamos em plena era digital, repleta dos mais impressionantes inventos tecnológicos ao alcance de todas as pessoas, sem nenhuma distinção. Mas toda a tecnologia de bits, bytes, códigos binários e aparatos digitais não consegue quebrar a magia do movimento dos ponteiros do relógio, dotados de um simples mecanismo analógico.
O modesto movimento circular do ponteiro dos minutos parece nos proporcionar uma clara noção da passagem do tempo. O movimento pausado e cadenciado, avançando por entre números e pontos, é a clara representação de que o tempo passa... e quando estou à espera de algo e olhando para o ponteiro dos segundos, o qual se move com fluidez, chego a ter certeza em meu íntimo, deste passar do tempo.
À espera pelo que virá, a notícia, a chegada de alguém ou um ônibus que irei pegar; não faltam motivos para observar o contínuo movimento desta pequena "máquina do tempo".
Observar o relógio também pode remeter ao passado, ou seja, as lembranças podem ter o movimento oposto ao dos ponteiros, pois o passado é semelhante a uma roda que gira no sentido anti-horário.
Mas seja no trabalho, no lazer, a bordo de um veículo rumando para qualquer destino... na companhia de meu velho relógio de pulso, ao observar os ponteiros que acompanham minha trajetória, tenho a inegável certeza de que sou um viajante do tempo. Afinal, o tempo vive em mim!
Roberto Alves é técnico administrativo em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





