CRÔNICA - Vésperas de Natal
Sobrado em São Paulo - pai, mãe, quatro filhos pequenos e dois pensionistas para ajudar na receita da casa.
O pai trabalhava das 6h às 20h nas indústrias Matarazzo. A mãe lavava, passava, cozinhava, costurava, inclusive para os pensionistas.
A menina, mais velha, ajudava a mãe em seus afazeres e, junto com os irmãos maiorzinhos, ia para a escola de manhã.
Estava chegando o Natal... os quatro sonhavam e oravam, mãozinhas postas sem se atrever a orar alto pois sabiam da situação...
Certa noite: ''Nega, a locomotiva e a fornalha vão para o Affonso, os outros dois vagões para o João e para o Flavinho vai este carro de bois que, se Deus quiser, termino até o Natal''.
Foi assim que, aos 10 anos, a menina ainda acordada descobriu que não existia Papai Noel vindo do céu e que comete tantas injustiças!
Havia sim o maior e melhor e mais querido Papai Noel do mundo que fazia, a canivete, brinquedos para seus filhos! Era o seu papai que sacrificava horas de sono de descanso para, na noite de Natal, pôr nos sapatinhos de seus filhos o brinquedo que não podia comprar mas fazia com suas próprias mãos comandadas pelo coração!
E a menina adormeceu chorando e agradecendo a Deus por ter nascido num lar que pobre de dinheiro era milionário de Amor!
MARA (pseudônimo) é professora aposentada em Londrina





