CRÔNICA - Uma amizade verdadeira
Elas eram amigas inseparáveis. Conheciam os pensamentos, desejos, medos, alegrias e frustrações uma da outra. Desde que ficou viúva, há 4 anos, Leila trabalhava muito para criar sozinha seus quatro filhos. Já Miriam não tinha filhos, mas se considerava uma mulher completa ao lado do seu marido Jonas.
As duas trabalhavam em barracas na feira. Enquanto Miriam separava as flores para o comércio, Leila arrumava as frutas nas prateleiras. Entre um freguês e outro o diálogo não tinha fim.
- Você vai no show do Roberto? Perguntou Miriam.
- Bem que eu gostaria, mas não tenho dinheiro para isso não. Mal consigo alimentar meus filhos! Respondeu a amiga.
- Vamos economizar para comprar os ingressos para irmos juntas disse Miriam minutos antes de apresentar uma expressão de dor.
- O que há com você? Perguntou Leda com preocupação.
- Foi só uma tontura com dor de cabeça. Logo fico bem.
- Já falei para você ir ao médico ver isso.
Passado alguns dias, a ausência da amiga na feira já demonstrava que as coisas não estavam bem e Leila telefonou para saber notícias. Foi aí que Jonas informou que os exames mostraram que Miriam estava com uma doença grave e que tinha no máximo seis meses de vida.
As duas aproveitaram para realizar todos os sonhos de Miriam. Caminhar na praia de madrugada, cinema à tarde, sorvete no domingo. Até um dia que ela desmaiou e não saiu com vida do hospital. Todas as semanas Leila ia visitar a nova morada de Miriam. Ali conversava com ela e dava muitas risadas, igual aos tempos da feira.
Faltavam dois dias para o show do Roberto quando, ao chegar em casa, Leila percebeu um envelope embaixo da porta. Quando abriu se deparou com dois convites para o show do grande astro. Junto com os ingressos um bilhete: Caso eu não esteja mais aqui para ir contigo. Venda um ingresso e compre um vestido novo. Mas não deixe de realizar seu sonho. Seja Feliz. Sua amiga para sempre, Miriam. No show, ao som da música Como é grande o meu amor por você, Leila chora ao lembrar dos momentos agradáveis ao lado da sua melhor amiga.
Logo em seguida os créditos do filme começam a subir e eu deitada no sofá da sala, com meu pijama branco de ovelhas cor de rosa, não conseguia parar de chorar. Sem entender nada minha filha perguntou:
- O que foi mãe, por que você está chorando tanto?
- Porque eu queria muito ter uma amizade assim!
ELSA CALDEIRA é jornalista em Londrina





