Londrina, cidade que se torna ainda mais charmosa no inverno. É quando casacões, foulards, botas e boinas dão o toque elegante aos transeuntes.
Aquecidos no interior da galeria Canziani, desfrutando um chocolate quente e macios pães de queijo. Na mesinha ao lado, um rapaz aguarda seu pedido, quando a garota - que não deve ter mais do que oito anos - chega timidamente, abraçando uma caixinha e lhe oferece pastilhas de menta.
''Compra, moço'', diz ela, com olhos de súplica.
Educadamente, porém, ele diz não. Ela insiste. Não, ele não está interessado.
Saboreando o conteúdo fumegante de sua xícara, vai observando disfarçadamente a menina que circula por entre as mesas, com certeza incomodando a muitos. Aquilo lhe faz mal; o dinheiro está alí, no bolso, ao alcance da mão. Basta um gesto. Tão simples!
O rapaz se inquieta; até que decide chamar a vendedora de pastilhas de menta. Convida-a para sentar, oferece-lhe o alimento quente - não o seu, mas outro pedido - que ela aceita prontamente. Enquanto vai enchendo a barriguinha, desfia sua história de garota pobre, que vende pastilhas para poder comprar o material escolar. Não quer ficar sem ir à escola. Quer para si um futuro melhor do que a situação que os pais enfrentam.
Falando e mastigando ao mesmo tempo, ela se entrega, deliciada. Mas não esquece o que veio fazer ali.
''Compra, moço'', diz novamente, sentindo-se mais confiante.
Dá o dinheiro, não leva as pastilhas. Permanece com o olhar no fundo da xícara... ele que teve a chance de escolher as capas dos cadernos.
Heloisa Bolelli Rebouças, de Ribeirão Preto

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