Gosto de ver pessoas trabalhando com diligência, com paciência, sabedoria e perseverança, com perfeição, concentradas e com aquela expressão de serenidade e contento no rosto. É um espetáculo fascinante, que dá à ação do homem uma dimensão de grandeza, de sublimidade e perpetuação que nada mais consegue com tanta fidelidade. É como se elas, ao executar aquilo que conhecem tão bem e que amam de coração, colocassem a existência inteira nesta ação, com todo seu peso, a sua beleza e singeleza. O olhar, os movimentos, a postura do corpo são transparentes, conscientes, verdadeiros. É como se estivessem contando o que sabem, dando testemunho daquilo que são capazes.
Não precisa ser um trabalho sofisticado, bem pago ou popular. Fiar paciente e perfeitamente numa roca artesanal é tão valioso quanto desenvolver um programa espacial, porque estas duas ações, aparentemente tão desiguais, formam parte do acontecer da história e possuem a sua importância insubstituível... Porque, afinal, o que a paciência e a perseverança não são capazes de conseguir em qualquer situação em que nos encontremos?
Pois a paciência, a perseverança e a perfeição vêm da sabedoria, a pérola mais preciosa pela qual tudo se abandona, como diz a parábola. Então, quando vejo esta gente executando seus afazeres com aquela diligência, com aquele prazer e perfeição, não posso deixar de admitir quão sábios eles são, pois não estão divididos em incontáveis tarefas superficiais, mas dedicados a uma coisa só, à qual dão toda a sua atenção, talento e amor.
Cada ato nosso deveria expressar esta sabedoria que trazemos conosco, pois quanto mais agirmos desta forma, mais ela tomará conta dos nossos atos, pois está sempre ali, viva, aguardando um sinal nosso. Acredito que os mais simples a aceitam naturalmente, sem estardalhaços ou exibicionismo, a vivenciam, sabem identificá-la e espalhá-la singelamente... Na contramão, às vezes, quem se diz sábio questiona tanto a sabedoria que acaba por perdê-la de vista. Nós achamos que sabemos algo, porém, se déssemos lugar à verdadeira sabedoria, àquela que jaz dentro de nós, perceberíamos quão vão é este nosso pretenso ‘‘saber’’!.’’
Paz Aldunate é professora de teatro, dramaturga e escirtora em Ibiporã (pazaldunatepalavras.blogspot.com)

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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