CRÔNICA - Somos civilizados?
Diante de um ''pardal'', pensei qual seria minha atitude se ele não me estivesse espionando. Imaginei que poderia atravessar no vermelho, pois não havia nenhum guarda por perto. Minha mente imaginou como seria o mundo sem as leis que nos forçam a sermos ordeiros.
O ser humano desde que nasce recebe força contrária aos seus desejos egoístas de fazer e ser como deseja e com ela vêm as birras e as ''caras azedas''. Com o tempo, e de acordo com a herança genética, ou após uma boa educação para reprimir sua raiva, alguns melhoram a cara na hora da contrariedade, mas só externamente.
No Haiti, um país pobre e de gente inculta, surgem os saques, mortes, estupros e certamente nós pensamos: pobre gente, tão ignorante como os homens das cavernas, não evoluíram por falta de cultura. Será que somos melhores que eles? Será que o europeu e o americano são melhores que eles ou nós? Ou será que no primeiro mundo as leis de repressão ao vandalismo funcionam e assim é necessário obedecer senão o castigo é pesado? Quando somos ofendidos e injustiçados temos desejos de vingança, de dar o troco com juros, quase sempre é nossa vontade que fica estancada na camisa de força da nossa educação. E se ela não existisse? Com certeza, com a nossa raiva faríamos justiça de acordo com os instintos dos primatas.
Nós nos assustamos como o descaramento de nossos políticos em nos roubarem e nunca serem pegos, criticamos o sistema de impunidade vigente, queremos leis mais duras e que a raposa não legisle o galinheiro fazendo as leis para seu proveito. Justamente nos descabelamos julgando esta corja de corruptos, porém qual seria nossa reação diante de oferta para enriquecermos rapidamente? Assisti a um programa que exemplifica bem nosso honesto povo: um falso cego era filmado pagando uma conta de R$ 10 com uma nota de R$ 50 e sempre recebia de troco menos de R$ 40, depois o repórter perguntava ao vendedor se ele se achava honesto. Imagine o resultado! Todos se achavam honestíssimos e como desonestos apontavam para os políticos do nosso País. Uma vergonha como diria o outrora ''impoluto'' Boris Casoy, tentando ser gari da sujeira brasileira.
Na bíblia temos um diagnóstico diferente de nosso auto conceito: ''Visto como não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal''. Eclesiastes 8:11. Podemos parecer bons e ordeiros ou ser treinados para isto, mas interiormente nenhum sistema educacional ou repressivo pode nos moldar. Carecemos de uma mudança divina que nos transforme radicalmente, de dentro para fora. Só Jesus nos liberta de nós mesmos e declara: Eu vim para tenham vida e vida abundante.
Valdir Flora Batista é teólogo





