CRÔNICA - Solidão e Alegria
Só havia ela na casa, somente ela. O frio ecoava pelas paredes. O silêncio consumia o vazio. Até que alguém bateu na porta, ela saltou de sua poltrona marrom e foi atender, abriu e lá estava sua velha amiga. Solidão nem pediu e foi logo entrando. A menina com um sorriso no rosto a seguiu, foram as duas para a sala, sentaram uma de frente para a outra, sem falar nada.
Passaram um bom tempo assim até que a garota quebrou o silêncio dizendo: ''Vamos dançar''. Então elas se levantaram e puseram-se a rodopiar pelo cômodo. Solidão dançava valsa muito bem, mas foram interrompidas por alguém chamando: ''Bia! Biiiiiiiia''. A menina deu um salto e correu na janela para espiar pela fresta da cortina de renda, podia ver Alegria acenando por de trás do portão. Bia pediu que Solidão esperasse um pouco.
Mais cinco minutos e lá estavam as três, na mesa tomando café. Quem visse, estranharia. Solidão e Alegria não costumam se entender muito bem, mas quando estão com Bia são melhores amigas, ela sabe fazê-las dialogar. As três passaram o dia conversando, rindo e dançando.
Já começava a escurecer quando Solidão e Alegria anunciaram que tinham de ir, mas sem antes prometerem à Bia que voltariam na quinta-feira. Novamente sozinha, a menina pôs-se a ler. Tristeza dissera que talvez lhe faria uma visita, mas havia se perdido em um ponto de ônibus qualquer.
Mariana Sanches é estudante do Ensino Médio em Londrina





