CRÔNICA - Saudades do passado
Feriado prolongado de carnaval. Aproveitei para assistir os desfiles das escolas de samba na TV, costume que adquiri há muitos anos. Eu vivi minha juventude na época áurea das escolas de samba do Rio de Janeiro, com seus componentes oriundos das comunidades, sem a mistura maciça de ''estrangeiros'' no samba, letras maravilhosas, sambas enredo que eram pura poesia escritas por poetas mortais, poetas que se misturavam com o povo do morro fazendo jorrar na avenida pérolas únicas.
A nostalgia chegou forte. Relembrar tempos idos que não voltam mais encheu meu coração com sentimentos saudosistas e nobres. Quem teve o prazer de conhecer o berço de samba de Londrina na década de oitenta sabe do que estou falando e comunga junto da mesma saudade e opinião.
Naquela época a Rua Samuel Moura era presenteada com o Cantinho do Tigrão. Era uma casa de shows pequena, com espaço reduzidíssimo, mas quando chegava à noite ela se transformava no melhor lugar da cidade. O palco era minúsculo, mas suficiente para que Tigrão e o seu grupo tivessem destaque especial. Todos transitavam por aquele palco, onde os cumprimentos e carinhos eram marca registrada. Tigrão, com sua energia contagiante, tratava a todos como igual.
Quando ele entoava os grandes sambas de enredo do carnaval e sucessos dos cantores em evidência, todos cantavam juntos, transformando o local num maracanã Londrinense em final de Fla-Flu, tamanha era a paixão. Foi embalada nesse sonho de juventude que muitas vezes dividi com amigos músicas que até hoje relembramos e cantamos juntos.
Assim como eu que sou cria de uma geração especial e única, têm muitos que até hoje carregam dentro de suas memórias momentos especiais vividos e divididos com amigos, namoradas (os)..., pessoas com quem compartilhamos os melhores anos de suas vidas.
Os anos se passaram, a vida continuou, seguiu seu curso natural, amadurecemos, constituímos famílias... As rugas foram chegando e deixando marcas para que lembrássemos que o melhor da vida foi e continua sendo ''Viver e não ter a vergonha de se feliz''.
Maria José Perotti Silva é psicopedagoga e professora em Londrina





