Muitas vezes conversamos com algumas pessoas e perguntamos : - E o seu namoro com a "fulana ou o fulano" como está? - Terminamos, namoramos dois anos. - E porque terminaram? - É porque não deu certo. É claro que deu certo, por dois anos deu certo, não deu mais certo ainda o que viria pela frente. No final destes dois anos não houve um acordo de como seria seus relacionamentos, as dificuldades hoje são muito grandes, tem que abrir mão de uma série de coisas, tem que aceitar outras, as pessoas muitas vezes namoram, mas não conseguem pensar ou imaginar as dificuldades futuras de um relacionamento, os casais de hoje não estão preparados para isso.
Existem pessoas que namoram porque ele ou ela tem um sobrenome importante, namoram por um status social, namoram porque existe um peso no bolso dele ou dela, têm pessoas que aceitam estes tipos de relacionamentos, existem também aqueles que namoram, mas ficam horas e horas focados num aparelho de celular mandando e recebendo mensagens. Hoje vemos casais em ambientes com os aparelhos na mão sem tocar no parceiro, não existe o toque, a magia do namoro. É comum hoje em dia e, às vezes, quando se encontram nenhum nem outro presta atenção quem está ao seu lado, ficam mais preocupados aguardando uma nova mensagem. Às vezes pouco conversam. É muito raro hoje em dia avistar um casal de namorados que no momento que estão juntos, estão planejando um futuro muito feliz para os dois.
Foi há muito tempo que o namoro era um momento de muita expectativa. O casal ficava contando as horas os dias para chegar um fim de semana, muitas vezes devido as dificuldades de se encontrar. Mandava cartas com o aroma do perfume preferido, bilhetes ou um simples recado através de um amigo ou amiga ou também um parente. Os enamorados marcavam encontros num salão de igreja onde haveria uma quermesse ou um baile ao modo caipira e porque não um pouco mais moderno com uma vitrola girando aqueles discos, aquele amasso quente escondido no escurinho longe do olhar das pessoas. A expectativa do casamento, da lua de mel, quantos namorados já passaram por estes momentos e hoje tem uma saudade infinita. Nos namoros de hoje não existe uma expectativa futura, pois já fizeram tudo o que não seria normal no passado.
No futuro se estiverem juntos, os casais de hoje não terão histórias para contar porque não viveram aqueles momentos de romantismo de nostalgia onde o namoro era um grande acontecimento nas suas vidas.

Antônio José Rodrigues é aposentado em Londrina

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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