Assim como nos sábados anteriores, o grupo de rapazes se reuniu no final da tarde no bar para celebrar a amizade e comentar o resultado do jogo de futebol.
O papo, como sempre, descontraído e regado a muita cerveja. Naquele dia, foi interrompido momentaneamente, e a atenção ficou toda voltada para uma senhora que caminhava sorridente com um ramalhete de flores. Linda, bem vestida, cabelos brancos, curtos e brilhantes davam-lhe aparência de uma mulher com aproximadamente setenta anos de idade, bem vividos. A beleza do ramalhete de flores ficou ofuscada pelo seu sorriso encantador.
Ao aproximar-se dos rapazes fez questão de cumprimentá-los desejando-lhes uma ''boa tarde''.
Foi correspondida imediatamente, elogiada e questionada se havia ganho aquelas flores. Respondeu de prontidão:
- Eu não ganhei essas flores, vou surpreender minha professora de espanhol, presenteando-a, afinal, ela merece.
Um espanto momentâneo se apossou dos rapazes, afinal, uma senhora setuagenária estudando outro idioma; o que faria com tal aprendizado?
Preconceito por parte deles em pensar assim?
Talvez, mas realmente é muito surpreendente uma pessoa com essa idade esbanjar tamanha motivação para aprender.
Infelizmente a maioria dos idosos nessa idade já se acomodou, deixando a impressão que estão apenas fazendo a contagem regressiva.
Ela, diferentemente, foi ainda mais enfática:
- Eu não sou fraca não. - Complementando o raciocínio por estar estudando espanhol.
Em meio a muitos elogios e aplausos por parte dos rapazes, despediu-se assoprando um beijinho carinhoso.
Realmente encantadora!
Os rapazes ficaram impressionados com aquela vitalidade, e o assunto na mesa passou a ser a lição de vida deixada por ela:
- Diálogo simples e educado, alegria contagiante, disposição e vontade de aprender, bom humor, simpatia, motivação para viver e habilidade na arte de surpreender e demonstrar sua gratidão.

Alcir Antonio Chiari é engenheiro agrônomo em Londrina

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