CRÔNICA - Que saudade!
Ao folhear virtualmente a Folha de Londrina, uma notícia me levou de volta aos tempos de Londrina da década de quarenta e cinquenta. A matéria falava da recuperação dos patrimônios históricos da cidade, entre os quais os colégios Marcelino Champagnat e Hugo Simas.
Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, eu estava entrando no mundo da escrita e leitura ao me matricular no Grupo Escolar Hugo G. Simas. A minha primeira professora, ainda me lembro, chamava-se Glória, ou dona Glória, ou professora, como era chamada pelos alunos. Na época não tinha esse negócio de chamar as professoras de "tia". Como a gente era criança, ela parecia ser enorme, talvez porque era alta e forte. A diretora chamava-se Mercedes C. Martins, uma senhora austera, sempre elegantemente vestida e bem maquiada. Não sei se era norma geral, mas no Grupo Escolar cantavam-se Hinos Pátrios todos os dias antes de entrar nas salas de aula. O culto ao patriotismo era mais vibrante, e isto me marcou profundamente.
Terminei o Grupo Escolar, e fiquei ausente da escola por um ano. Voltei aos estudos em 1949, no Colégio Marcelino Champagnat, na época chamado de Ginásio Estadual, cujo diretor era Carlos Zeve Coimbra, meu professor de francês.
Ao ver a foto atual do colégio, todo reformado, porém mantendo a arquitetura original, com novas cores, diferente do amarelo da minha época de ginasiano, bateu uma saudade... Lembrei-me dos professores, principalmente de matemática, Moacir Teixeira, e de ginástica, Vitorino Gonçalves. O primeiro, por causa das regras mnemônicas para decorar fórmulas matemáticas, e o segundo por dois fatos inesquecíveis: foi o professor que nos acompanhou a Curitiba quando participamos do Campeonato Colegial de Atletismo, e o outro triste - porque nos deixou ainda jovem em plena atividade profissional.
A notícia me alegrou, me fez lembrar muitas coisas boas do passado, quando Londrina estava no início, mas já apresentava sinais visíveis de progresso e desenvolvimento em todos o setores da atividade comercial, agrícola, industrial, e cultural.
Felizmente, os dois estabelecimentos de ensino que foram meus berços culturais continuam intactos, imponentes, e continuam educando as crianças e os jovens da minha terra natal.
Parabéns aos administradores que souberam valorizar os patrimônios culturais da cidade.
Toshio Icizuca é engenheiro e escritor em Piracicaba
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





