Entendo que é necessário que cada um leve a sua vida de uma forma totalmente individual, pois apesar de formarmos um todo como raça e como manifestação no decorrer da história universal, temos dinâmicas, tarefas, bagagens, encontros e caminhos completamente diferentes, propósitos bem definidos nesta breve vida que requerem de qualidades únicas para serem realizados. Qualidades que só cada um de nós possui e pode utilizar para que os acontecimentos se desenrolem. A diversidade entre os seres humanos é indispensável para que todos possam participar do plano divino e não fiquem somente alguns com todo o peso e a responsabilidade. Acho que é por isso - por causa das diferenças e da multiplicidade de tarefas que formam este quebra-cabeças - que resulta meio difícil apegar-nos ou enredar-nos de uma forma absoluta, mesmo pais, irmãos ou filhos, pois se assim o fizermos só conseguiremos estorvar e atrasar seu crescimento e o nosso próprio, já que temos esta estúpida mania de sermos tão possessivos e manipuladores com aqueles com quem nos relacionamos, mesmo superficialmente.
Todas as pessoas têm seu papel específico em cada um dos eventos que acontecem, sejam eles grandes ou pequenos, nos quais terão sucesso ou fracassarão, e todos são igualmente importantes, por isto devem esforçar-se para descobri-los e cumpri-los. Meu pai, minha mãe, minha irmã, meu chefe, o atendente da farmácia... Cada rol bem desempenhado nos faz despertar e crescer naquilo que precisamos e, ao mesmo tempo, tem um propósito determinado na existência dos outros. Todas as pessoas que entram em nossas vidas nos trazem algo e por isso devemos a elas imenso respeito e gratidão, asssim como nós os merecemos também porque trazemos para eles mensagens, lições ou revelações importantes para seu aperfeiçoamento espiritual. Precisamos respeitar a sua função, as suas palavras, a sua interferência; e devemos ser gratos pelo seu apoio, seus conselhos, sua companhia, sua inspiração, seu suporte material e até as suas broncas, porque tudo é para melhor.
Jamais devemos desprezar ou afastar alguém, pois precisamos descobrir o que ele tem para nos ensinar e, quando o fizermos, temos de agradecer e retribuir. Depois, cada um poderá continuar seu caminho, seja em direções diferentes ou um do lado do outro. Afinal, quem sou eu para achar que o papel de outrem é inferior ao meu? Talvez se não fosse aquela pessoa ali fazendo a sua parte -essa que eu ouso chamar de ''pouca coisa''- eu não estaria aqui executando as minhas ''grandes obras'', não é mesmo?
Paz Aldunate - professora e dramaturga em Ibiporã

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