De repente, me deparei com a professora me dizendo para escrever uma crônica sobre qualquer coisa, qualquer assunto, fato ou notícia. Naquele momento vi a oportunidade perfeita - ou quase perfeita, se eu não estivesse tão cansada - de fazer um breve desabafo num pedaço de papel.
De tempos em tempos borbulham em mim palavras que ficaram presas uma vida e meia, mas tiveram seu tempo para jorrar. É como se elas estivessem à espera do tempo que as coubesse, como a proposta da professora, por exemplo. Minhas palavras só brotam quando estão prontas, na verdade, elas surgem de uma parte de mim que não se acha nem se perde. Sim, porque nada é estático. Nem as palavras, nem eu.
Sou mutável no que digo, penso e faço. Por isso, talvez a dificuldade de me expressar, nunca sei exatamente quem ou o que sou. Minha bipolaridade faz-me enxergar como um novelo todo embolado: um emaranhado de ideias e palavras que se misturam cada vez que abro a boca, me tornando algo sem definição.
E assim me faço à base de palavras presas à boca do estômago que jorram desordenadamente e perdem o sentido quando encontram o papel. As palavras não me são suficientes.
Mariana Brunozzi é estudante em Rolândia

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