CRÔNICA - Percepções da varanda
O que é então uma varanda?
Uma construção feita para proteger a porta, seja ela da sala ou da cozinha.
Há de se fazer algumas considerações: proteger a porta; proteger a entrada. De que? De quem?
Necessário também é dizer de quem fica ao abrigo da varanda. Se a construção está para a frente da rua, é possível observar as pessoas que passam, as crianças que brincam, os cachorros, os pardais, é possível até ouvir uma música que não foi você que escolheu e por isso não lhe agrada aos ouvidos.
Na varanda bate sol, corre o vento, molha da chuva e faz frio, mas o curioso é que é bom estar ali, não para passar a vida, mas momentos. A varanda foi ofertada como abrigo, por isso não cabe reclamar da oferta generosa, embora não seja um abrigo seguro.
Pela varanda se vê a porta, a qual esta protege, fechada, janelas fechadas ou quando muito se observa o dançar da cortina ao vento. Quem está na varanda tem curiosidade de saber o que tem por detrás da porta, saber como é a casa pelo lado de dentro.
Qual a cor dos móveis? Há tapetes pelo chão? Os cômodos são amplos? Perguntas sem respostas.
A casa está fechada, talvez espere um morador que se foi e disse que voltava sem dizer quando. E a porta? Continua fechada...
Quem vive na varanda alimenta a esperança de um dia habitar nessa morada e sentir-se novamente enamorada e segura por estar do lado de dentro.
Rosemary dos Santos Rodrigues Lino é professora em Campo Mourão





