Ninguém naquela manhã fria de sexta-feira poderia entender o que estava acontecendo. Algumas perguntas sem respostas permeavam a mente dos expectadores presentes nas ruas de Jerusalém: por que executar um homem que ensinava a viver, a respeitar o próximo, cujo estilo de vida era pautado no amor? Se seus ensinos eram cheios de sabedoria, empatia e autoridade? Realizou milagres, libertou pessoas de seu cativeiro interior e ressuscitou mortos, provando que o poder de Deus estava com ele? Mais intrigante ainda: por que não se desvencilhou de seus acusadores e executores? A resposta é tão simples quanto profunda: ele não quis. Preferiu responder na manhã de domingo quando algumas pessoas foram ao sepulcro e encontraram-no vazio porém com uma mensagem para os judeus e para o mundo. Trata-se do lençol que cobrira o rosto de Jesus. Ele estava dobrado à parte.
O evangelho escrito por João narra esse detalhe, uma vez que ele e Pedro foram os primeiros discípulos que chegaram ao local depois da ressurreição de Jesus e, portanto, testemunhas oculares.
A relação entre patrão e servo no mundo judeu usava essa linguagem sem palavras. O patrão assentava-se à mesa para fazer as refeições e utilizava-se de uma toalha com a qual limpava o rosto, a boca e a barba; o servo apenas poderia tocar a mesa após o amo terminar a refeição. Se o amo deixasse a mesa com o lenço ou toalha embolada, estava querendo dizer: ''eu terminei'' e o servo podia retirar a mesa. Se o amo deixasse o lenço dobrado, estava dizendo: ''eu voltarei''.
Conclusão: pelas palavras de Jesus e pela linguagem do lençol dobrado no sepulcro vazio, percebemos que nossa Páscoa iniciou-se naquela manhã de domingo, mas a mesa ainda está posta e o amo nos deixou essa clara mensagem: ''EU VOLTAREI''.
O banquete verdadeiro do qual somos todos convidados ainda está por vir. Quantos aceitarão o convite?
■ El­cio Ros­si, pro­fes­sor na Uni­fil, em Lon­dri­na

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