Nós pais temos muitas alegrias com os filhos; esperamos por eles durante anos e depois da noticia da gravidez temos que ansiosamente aguardar durante 9 meses para vê-los. A emoção é indescritível, receber um filho é inexplicável e eterno.
No início e durante algum tempo junto com eles não temos muita tolerância e queremos que sempre façam aquilo que julgamos o melhor para eles.
Eles crescem e (assim como nós em nossa juventude) aprendem a argumentar, conhecem outras formas de direcionar suas mentes e ações e geram o conflito entre o ideal dos pais e os sonhos de liberdade dos filhos.
Quando estes posicionamentos dos filhos se manifestam, somos obrigados a nos acostumar e tolerar.
Insistimos até a exaustão que retirem o cocô do cachorro, que tanto choraram para ter e imploramos para deixarem pelo menos a cama arrumada; nos angustiamos pedindo que não andem com determinado amigo, com cautela instruímos sobre o malefício do cigarro e das bebidas.
Para nós são instruções boas que poderão livrá-los de problemas. Insistimos, discutimos, choramos, esbravejamos e até ameaçamos, tentando uma maneira de fazê-los entender que, mesmo na nossa incapacidade de criá-los, esse é o melhor que sabemos fazer.
Cansados de tanto insistir para que nos obedeçam, para que ouçam nossos conselhos, eles têm nossa ''anuência forçada'' e como se não nos restasse alternativa explodimos internamente e voltamos a recolher as fezes do cachorro, arrumamos suas camas. Dentro de nós há um sentimento de derrota e as conquistas deles às vezes são antecedidas pelo nosso recuo, talvez uma forma de não perdê-los.
Os amigos são os mais sábios, os namorados sabem mais que os pais, os sonhos são sonhados longe de nós e a lacuna aumenta assim como nossa dor.
Um dia eles se casam e chegam os filhos. Depois de desavenças que julgavam tirar de letra e de terem que se acostumar talvez com um namorado da filha que quer ser o dono do controle da TV, se achegam para nós e dizem: ''Pode me ajudar com seu neto?''
É possível que aconteça este pedido, e mesmo que não aconteça, queremos que saibam que nós os amamos desde a espera e até a nossa morte. Ser seu pai é uma benção de Deus! ''O tolo despreza a correção do pai, mas o que observa a repreensão é prudente''. (Pv. 15:4)

Valdir Flora Batista é pai e teólogo

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