CRÔNICA - Pais e filhos
Filhos são coisas abençoadas. Eles nos trazem tanta alegria... Em contraponto também nos trazem inúmeras chateações, preocupações e tem hora que eles enchem o saco.
Quando são pequenos e dependem de nós para tudo, não nos deixam tempo para viver a nossa vida, só a deles. Quando entram na adolescência, acham que são donos do mundo e que podem dominar tudo e todos. Passam os anos e quando a gente percebe, eles se foram. Saem de casa para estudar fora ou se casam e vão viver a vida deles. Nós ficamos sós, sem aquela companhia de tantos anos.
Quando a coisa aperta, eles miraculosamente se lembram que têm pais, e então, ou voltam para casa com cara de cachorro que caiu da mudança, ou nos procuram atrás de conselhos ou somente pedem um colinho para chorar as mágoas.
Ser pai e mãe é muito difícil. É realmente uma tarefa ingrata. Somos as piores criaturas se colocamos limites e não deixamos que eles façam certas coisas que, por experiência própria, sabemos que irão trazer-lhes sofrimentos.
Se deixamos que eles vivam livremente, sem responsabilidades ou obrigações, num futuro muito próximo seremos taxados por eles de ausentes, e eles dirão que não estivemos presentes quando eles mais precisaram ou que não avisamos que iriam quebrar a cara.
O que fazer? Não existe uma resposta, isso eu já descobri. Sigo o meio termo e espero não errar muito.
Apesar de tudo, continuo acreditando que eles são bênçãos. Acredito que ninguém pode ser feliz sem passar pela experiência de ser pai e mãe.
Quando eu acordo de manhã e vejo todos eles em casa, sei que aconteça o que acontecer eles estão aqui e eu posso abraçá-los e beijá-los e enchê-los de mimos.
O amor não escolhe a quem amar. Cada um é de um jeito, mas no fim eles são todos iguais, pois são meus filhos.
- Deyse Chagas Sêga é dona de casa em Paranavaí





