CRÔNICA - Ouro ao pó
Fogo controlado. Multidão inativa. Problemas ao vento. Amanhã os jornais terão uma manchete mais triste que de costume. Durante a semana seguinte os escombros vão dando lugar as cinzas. A ficção se combina tragicamente com a realidade.
O Teatro Ouro Verde pegou fogo em um domingo, não havia ingressos sendo vendidos na bilheteria. Mas uma plateia se alocou na frente do prédio, com tristeza, no que presenciava.
Uma mulher, testemunha ocular do incêndio, no meio da multidão fala alto:
- Meu Deus!
Todas as classes juntam-se: baixa, média e alta. O fogo consumiu e comunicou uma cena que ninguém queria assistir. No entanto, infelizmente aconteceu.
Um hippie vendedor de bijuterias olha no meio do povo a ''peça''.
- Por Shiva!
O dia é triste e vai prosseguindo, pois tem que terminar. As pessoas vão desistindo da multidão; é obrigatório voltar para casa e descansar a cabeça no travesseiro. Segunda-feira tem que começar com ou sem incêndio.
Um jovem ateu estudante de um curso de humanas, travestido como revolucionário diz na frente do prédio:
- Vale Karl Marx!
Nada engendra em nada. Como se incendiou? Por que aconteceu? Quando vão reformar? Como ficarão os festivais? Perguntas que o pó não possui a capacidade de responder.
A esperança e fé se unem ainda que separadamente em torno de um grande palco em destroços. Do futuro não pode prever, mas do presente ficam as incertezas. O ouro por agora virou pó.
Diogo Mendes é estudante de jornalismo em Londrina





