Meus avós, com idades mais avançadas, sempre me disseram que na época deles, brincar com bonequinhas de pano e bolinhas de gude era a principal fonte de diversão e entretenimento. Eu querendo me achar uma menina intelectual, sempre respondia: ''Para quê bonecas de pano, vovó, se eu tenho uma Barbie? E bolinhas de gude, são passado, prefiro um Playstation''.
Não, a realidade acima não é fictícia. Em várias famílias, o conceito de ''viver a vida'', está se modificando, sempre preferimos tênis novos, bolsas caras, um cabelo diferente, nos tornamos dependentes de computadores, carros e eletrônicos.
Ressalto que há uma diferença entre prioridades e preferências, como por exemplo, ''eu quero e desejo esta super sandália, mas será que realmente preciso dela?'' Aposto que minha avó sempre usou apenas um chinelinho, até deixá-lo gasto. Ela tinha outras prioridades naquela época. Se ela preferia trocar o chinelinho velho? Talvez sim, mas ela não se tornava dependente apenas disso, pensava em como aproveitar seu tempo livre para o trabalho e proteção da família.
Talvez, se nós estivéssemos na época da adolescência da vovó, com certeza ficaríamos obcecados pelas havaianas azuis da loja do João, e toda semana iríamos lá, procurar mais novidades para nossa coleção, esqueceríamos do nosso pobre chinelinho, e daríamos passe livre para o domínio das Havaianas.
Não faço críticas à tecnologia, mas sim à dependência da maioria dos indivíduos sobre ela.
Concluindo o raciocínio acima, acredito que a minha vovó ainda possui seu velho chinelinho, e aposto que não é bordado nem da marca Havaianas. O seu chinelinho estava no seu coração, na sua razão, era apenas mais um item necessário na sua difícil caminhada.
Milena Cristina Outuki é estudante em Itambaracá

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