CRÔNICA - O quintal da casa dos meus avós
O quintal da casa dos meus avós foi palco de muitas aventuras em minha infância. Serviu como terreno de escavação para a pequena exploradora que desejava encontrar diamantes; foi a estufa da jardineira que cultivava diversos tipos de flores e até o restaurante da melhor cozinheira do Brasil.
O pequeno declive entre o corredor e o fundo da casa fez papel, por muitos anos, de uma rampa para grandiosas manobras de bicicleta. A avó, embora reticente, sempre auxiliava nas brincadeiras que eu inventava. O avô, sentado em sua habitual cadeira, na área, pedia: "vê se não risca o carro com essa bicicleta".
O tempo passou. Hoje, não sou mais a garotinha que gastava as tardes se divertindo naquele quintal. Mesmo assim, quando vou até lá, para sacudir os farelos da toalha de mesa, depois do costumeiro café da tarde, percebo que nada mudou. As mesmas pedras, os mesmos vasos de flor, os mesmos pés de chuchu, o mesmo forno a lenha. Entretanto, em mim, nada mais é o mesmo. Sou crescida. Tudo é diferente agora.
Contudo, a criança que há dentro de mim jamais apagará da lembrança os fins de tarde acompanhados de sorrisos da avó e de leves broncas do avô. A pessoa que sou nunca se esquecerá do amor que existia nas entrelinhas das pequenas atitudes daqueles dois, que são os meus maiores exemplos.
Ana Clara dos Reis Tomaelli é aluna do terceiro ano do Ensino Médio em Bela Vista do Paraíso
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





