Lá es­ta­va eu, mui­to agi­ta­da, em uma sa­la de au­la, de­pois do re­creio, quan­do a pro­fes­so­ra en­tra e me man­da fi­car em si­lên­cio. Eu me sen­to e pen­so: ‘‘Que­ria não es­tar ­aqui, nes­te ­momento’’. ­Abro o li­vro e ­leio uma fra­se: ‘‘Eu que­ria ser um ­viajante’’. ­Quem a es­cre­veu? O que es­ta­va pen­san­do? Tal­vez pen­sas­se co­mo eu. Gos­ta­ria de es­tar em qual­quer lu­gar quan­do qui­ses­se, sem dar sa­tis­fa­ção a nin­guém, co­nhe­cer pes­soas di­fe­ren­tes, ­sair da ro­ti­na.
  E eu, já ­mais cal­ma, con­ver­san­do um pou­co, a pro­fes­so­ra me cha­ma ­mais uma vez a aten­ção, mas des­ta vez me tro­ca de lu­gar. Pen­sei: ‘‘Gos­ta­ria que fos­se fá­cil as­sim, me des­lo­car de um lu­gar pa­ra ou­tro, não nu­ma sa­la de au­la, mas sim no mun­do...’’.
  Gos­ta­ria de ser an­dan­te, via­jar, via­jar, via­jar, es­que­cer de tu­do e de to­dos. E pen­sei:
   - O que é ser via­jan­te? É ape­nas pas­sear por es­te mun­do ra­dian­te! Ou, ape­nas so­nhar e ir sem­pre adian­te.

Tai­la­ne Pi­la­ti Ma­ra­fi­go, alu­na da oi­ta­va sé­rie do Co­lé­gio ­João ­Plath, em ­Mauá da Ser­ra


Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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