CRÔNICA - O Papa não é tão pop
Não era de se esperar que o novo líder da Igreja Católica fosse um argentino, né? O hermano nem aparecia na lista dos favoritos e já vem roubando cena com sua simplicidade. Mas, o mais estranho é a gente se assustar com suas atitudes. Vendo o jornal da emissora que não é azul, mas tem marinho envolvido, fui notificado sobre a primeira semana do novo pontífice. Como fiquei surpreso com seu crucifixo de aço, sua dispensa do tão famoso sapato vermelho e sua ida ao guichê para pagar a própria conta. Francisco está retomando o que há muito tempo a Igreja vem pregando, porém nós, fiéis, esquecemos um pouco: igualdade e humildade.
Realmente estou admirado com seus atos. Confesso que tenho esperança no Papa Francisco e me anima muito vê-lo quebrando certos paradigmas, até porque eu, católico por formação e praticante dessa religião cujos preceitos são desatualizados, vinha entrando em conflito com a minha fé. Há muito tempo que a Igreja se veste com ouro e mais objetos que minha renda não consegue enxergar. Tristemente essa referência medieval continua para maquiar a crise existente com "poder".
Outra questão impactante é de que o novo Papa não tem um pulmão. Meu Deus, daqui a pouco uma biografia não autorizada surgirá nas livrarias fazendo revelações bombásticas sobre o argentino. Mas calma, agora a moda é o Bento XVI que terá sua vida vista por essa massa de telespectadores acostumados com os realities televisivos. Livros sei que tem, porque dias desses passando em frente a uma grande livraria, vi Bento estampando biografias prontas para serem consumidas. Como são ágeis os escritores, não? Mal renunciou e conteúdos já estão à venda.
O novo Papa tropeçou, causou polêmica com aquela história de que estava envolvido na ditadura argentina, apareceu com trajes simples no seu primeiro pronunciamento e confirmou sua escolha para Francisco por causa de um cardeal e amigo principalmente - brasileiro (até nisso, o cara é diferente). Mais sobre o novo pontífice será revelado pelas câmeras e jornais. Espero não me espantar e ver a vida de Francisco tão pública ou ressaltada por vieses sem importância, afinal esse Papa não é tão pop e nem quer ser. Não quero me espantar com deveres cujas verdadeiras responsabilidades vêm marcando presença plausivelmente pelo novo líder.
Bruno Petri é estudante universitário e mora em Ibiporã
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o
leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





