Observo diariamente os dois cães abandonados na rua, em frente a minha casa. Seu dono mudou e eles ficaram ao relento. Uma protetora de animais, que mora no prédio vizinho, os alimenta, mas não pode dar-lhes um teto. Eles perambulam pelas calçadas, às vezes vêm bater um papo com a colega Layca, a cadela de casa. De vez em quando, surgem outros cães para prestar-lhes solidariedade.
Esta cena me traz uma reflexão. Eles são tão unidos, um atendendo ao outro. Não são irmãos de sangue, mas de sobrevivência. Os animais são assim, tão amigos, que fazem festa quando nos encontram.
Os relacionamentos entre animais muitas vezes são semelhantes aos dos homens. Fazemos falta uns aos outros. Juntos, sempre somos mais fortes. E numa família onde reina o amor, não há distância, obstáculos que afastem os irmãos. Um estende a mão para o outro. Sempre têm uma palavra amiga, uma acolhida generosa, momentos para passar o tempo juntos. Isto não impede que aconteçam explosões e desequilíbrios nos encontros familiares. Mas tudo volta à tranquilidade, porque nada e ninguém podem influenciar e afastar uns dos outros. Nem as críticas e comentários negativos, as tão famosas alfinetadas que são como gotas de veneno que, sem perceber, conduzem ao afastamento. Nem os mal-entendidos, os problemas, as fraquezas humanas podem prejudicar a convivência entre irmãos. E, sabem por que essas intempéries não abalam os encontros fraternos? Porque existe o amor sincero, o perdão, o olhar humilde e a solidariedade que fortalecem a caminhada, dão sentido à existência e trazem alegrias, prosperidade e bênçãos.
E, para concluir, acrescento que o maior presente que os pais podem receber de seus filhos é esta compreensão e vivência fraterna. Pois a felicidade se completa no amor, na união entre pais e filhos. Caso contrário, corremos o risco de findar nossos dias e não realizarmos nossos sonhos e acabar sentindo o amargo sabor da derrota, da solidão e da missão não cumprida, onde não há partilha, convivência, acolhida e encontros.

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