Não sou nenhuma especialista política. Sou povão! Sou uma dona de casa de 47 anos que após 25 anos de casamento e três filhos, se viu sozinha! Resolvi voltar aos bancos escolares e conseguir um diploma. No meio disso tudo, este ano, por algum tempo me senti emocionada positivamente com o povo brasileiro.
Milhares nas ruas brigando contra a falta de consideração com o povão. Brigou-se pelo não reajuste nas passagens dos coletivos, pelas PECs, foi-se à rua com garra e coragem.
Vaiou-se a Presidente do Brasil, brigou-se pela construção de hospitais ao invés de campos de futebol.
Bonito, grandioso, emocionante!
Resultado alcançado: a passagem subiu, as obras dos estádios de futebol continuam a mil, trouxeram vários médicos estrangeiros, mas não se construiu até agora nem um simples leito de hospital, quanto mais um hospital inteiro.
Nossa saúde é uma sucata, nossos meios de transporte são verdadeiras carroças ambulantes e superlotadas, continuamos morrendo nas filas hospitalares.
No meio disso tudo, o Governo tirou partido das atenções voltadas para outras prioridades e aproveitou pra colocar em liberdade todos os mensaleiros, por falta de provas.
É engraçada a memória curta. As cuecas cheias de dinheiro, as filmagens de subornos e compra de facilidades... não são provas!
Cadê o gigante? Uns dizem que ele voltou a dormir. Eu acho que tal como os anões do orçamento (alguém se lembra deles?). Pois é, acho que nosso gigante virou anão!

Deyse Chagas é estudante de radiologia e uma brasileira indignada que mora em Maringá

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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