CRÔNICA - O cotididiano de uma esportista amadora
Como é bom acordar cedo e correr às margens do Lago Igapó. Há alguns anos transformei isso numa rotina. Incialmente por causa de determinação médica. ''Você precisa fazer uma atividade física, perder peso'', dizia-me o doutor. Mas com o tempo se transformou em puro prazer.
A atitude faz com que, a cada dia, eu me conheça mais. Descobri que prefiro correr porque não tenho paciência para caminhar. Após cada passo, um encontro. Pessoas com cheiro de amaciante, com fone de ouvido, bonés e chapéus provocantes.
De onde menos se espera vem um lindo sorriso acompanhado de bom dia. Outro caminhante fecha a cara como se dissesse: ''me deixe quieto''. Às vezes invejo os cães que não deixam de se cumprimentar, digo se cheirar. Já o meu poodle, Banzé, tenho de levar na guia, senão ele se joga no lago ou do nada resolve enfrentar o pitbull do jovem de peitoral acentuado pela camiseta regata.
Durante o percurso, penso na palavra não dita, reflito sobre o perdão que precisa ser liberado, na noite de amor, no conflito com o filho adolescente. Medito sobre meu trabalho e projetos inacabados. Proponho no coração ser uma pessoa melhor, falar menos e ouvir mais. Faço uma prece sem palavras.
Ao meu encontro camisetas com frases de lembranças de Porto Seguro, Fortaleza, Disney e Guaratuba. O vento seca o suor que corre no meu rosto. A respiração, já ofegante, demonstra meu esforço, perseverança e disciplina. Ao chegar no Zerão, exercícios nos aparelhos da academia popular e um breve alongamento. De volta para casa, a sensação de missão cumprida e a certeza de que o meu dia será bom, muito bom.
Elsa Caldeira é jornalista em Londrina





