Numa tarde de sábado, deparei-me com um senhor, de oitenta e poucos anos. No olhar a doçura, mas os traços de seu rosto demonstravam o sofrimento e as aflições do dia a dia. O nome dele, Alfredo. Nome incomum. Incomum, também no jeito. Ofereceu-me pão. Um pão quentinho que havia acabado de comprar. Tudo isso, por causa de um sorriso que eu havia sinalizado metros antes. Foi exatamente na esquina que ele parou. Ali me ofereceu alimento pra alma e me revelou segredos do céu. Fez jus ao nome: Alfredo quer dizer sábio, conselheiro.
Ele tinha mãos sujas e o suor caía do rosto. Sábado de sol. Mas, mesmo assim, ele parou e começou a conversar. Parecíamos invisíveis, experimentei por quinze minutos a sensação de ser completamente ignorada pelas outras pessoas. O senhor transmitia um olhar meigo, tinha fala mansa que quase não se escutava. Contou-me experiências da vida. Talvez, Jesus Cristo tivesse sido como ele. Me disse para continuar sendo do jeito que eu era. Me disse que meu sorriso constrangia porque havia o brilho de Cristo.
Ele me acalentou com suas palavras. Confortou meu coração. Ofereceu o que tinha de melhor. Revelou-me seu maior segredo: que é o que está dentro do coração. Coração puro, coração bom. Nunca vou me esquecer daquelas palavras, nunca vou me esquecer daquele que elegi meu avô. Deixo as suas palavras: ''Bem aventurados os que choram, eles serão consolados. Bem aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados de filhos de Deus''.

Thais Leite é jornalista em Londrina

mockup