CRÔNICA - O anoitecer fenomenal
A última vez. Sua última chance. Com a responsabilidade pesando sobre os ombros, ele espera o sinal para entrar em cena. Olha para o campo à sua frente e não vê o que está ali, ao invés disso, assiste ao filme de sua carreira, história e vida, que passam rapidamente pelos seus olhos. Ele dá um meio sorriso, talvez orgulhoso do que acabou de assistir e vai.
O coração de cada torcedor acelera, os olhos se tornam ágeis e todos esquecem um pouco o time preferido, para se juntar na torcida, não de um time, mas de apenas um jogador.
Quinze minutos. Esse é o tempo que o fenômeno teve para se despedir. Na camiseta amarela trazia seu acompanhante fiel de tantos anos de carreira: o número nove. Ronaldo não correu muito, o físico não o permitia. Esperou pacientemente as oportunidades chegarem, e quando elas apareceram, driblou-as, atrapalhou-se, chutou. E mesmo sem obter sucesso em nunhuma das três tentativas de gol, ele brilhou e emocionou milhões de pessoas.
Ao som do apito do árbitro, todos se entreolharam sem acreditar que havia acabado.
Ele ainda fora homenagiado. E em seu ''discurso de despedida'', desculpou-se pelas falhas, e não obteve perdão, porque ninguém havia condenado-o.
Todos assistiram à sua luta contra o cansaço e reconheceram seu esforço. É óbvio que ele não é mais o mesmo. Só que apenas superficialmente, pois Ronaldo sempre será o Fenômeno. Afinal, não importa o quanto o futuro se esforce, ele não destrói as lembranças, muito menos apaga-as do passado.
Aposentou-se o Fenômeno. Fez-se noite em sua carreira dentro do campo. Mas sua luz na história do futebol continuará acesa para sempre.
Larissa da Silveira, estudante em Conselheiro Mairinck





