CRÔNICA - Nunca morra sábado à noite!
Nem parece que os portões da primavera foram abertos em 21 de setembro... O pulôver, em cima da cama, terá que esperar para ser engavetado... A brisa fria que sopra, e tremula a cortina do quarto, denuncia que o tempo enlouqueceu.
O tempo... Ah o tempo! Passa por nós deixando marcas no rosto e digitais na alma... O tempo que, mesmo em pleno outubro, ainda traz uma insistente aragem gelada, que sopra feito o hálito do pulmão do freezer.
O tempo... Ah o tempo! Que nos leva para a inevitável fila do céu, única certeza da vida... O tempo não diz qual nossa senha nem a posição nessa fila... O tempo só nos da um tempo para sermos mais justos, mais humanos e melhores almas!
Já que a fila do tempo passa mais rápido que um sopro, peço aos meus amigos:
- Não permitam que suas senhas vençam no sábado à noite... A passagem dos meus amigos para o andar de cima tem que ser um evento sublime, ocorrer em grande estilo, e em dia de semana... Segunda-feira, terça ou qualquer outra feira, menos sábado à noite...
Não quero me entristecer no domingo, chorando por vocês... Não posso perder a missa das sete, a macarronada domingueira e o futebol à tarde... Na despedida dos meus amigos é indispensável que se guarde feriado, e feriado no domingo não tem graça!
Talvez minha senha seja chamada antes de vocês... Quem poderá dizer o contrário?
Que aproveitemos a vida enquanto não chegar nossa hora... Sejamos compreensivos, amáveis e felizes - não esquecendo, jamais, de trazer Deus dentro do coração!
João Candido da Silva Neto é eletricitário em Santo Antônio da Platina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





