CRÔNICA - Nós, humanos...
Já ouvimos, de nós mesmos, tudo sobre nós mesmos, desde de que éramos o centro do universo, que somos o suprassumo da criação, e inclusive o privilégio de ter sido criados à imagem do criador. Pelo menos temos o bom senso de admitir que só a imagem, né?
Não, não vou aqui abordar assuntos e temas por demais conhecidos, como as nossas fraquezas, virtudes, paixões, amores ou ódios, e nem fazer comparações com outros animais da criação, não, nada disso.
E nem me atreveria a entrar em outros assuntos da natureza humana, por ser absolutamente leigo academicamente falando em assuntos por demais discutidos há milênios e sem, contudo, se chegar a qualquer conclusão, já que dinâmicos não ficam estagnados esperando amadurecimentos e conclusões de ideias e conceitos.
Privilegiados só pensamos que somos de carona nessa imensa bola flutuando no espaço, junto com todos os outros colegas da criação, vamos fazendo essa imensa viagem com total desconhecimento da origem e do destino. Incapazes de inferir conhecimentos dos sinais, uns poucos trajando a toga do conforto momentâneo, mas todos respirando do mesmo alimento, gozando ou padecendo dos mesmos cânceres, viemos e vamos.
Vazio, dizem, não existe. Então temos a imensa capacidade de criar para preencher (o quê, preencher o vazio?) o vazio, que insiste em surgir quando paramos para pensar. Então sem consciência, colocamos alguém ou algo, como remédio para não dar a chance da depressão carente de respostas.
De liberdade relativa (que liberdade é essa?), sem ser donos de absolutamente nada, entorpecidos, alguns, por crenças, riem por fragmentos momentâneos para logo, entristecidos, em confronto com a realidade que não se deixa desaparecer, chorarem por tempos infindáveis.
Talvez, quem sabe, depois que tudo passar, saberemos. E, se nada pudermos saber, não fará diferença. Muitos, não, a maioria, já entenderam isso, ou não.
Nada obstante, o sol continuará a nascer, por mais algum tempo, todas as manhãs, ainda que por detrás das tempestades, e as dores e as alegrias como nossas companheiras, tentarão dar sentido ou rumo à existência que, pelo menos, não há como negar.
José Roberto Brunassi é advogado em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





