Todos os anos o Natal parece o mesmo, dizem as pessoas. E fico pensando sobre isso. Realmente o Natal é sempre o mesmo porque não é outra coisa senão a comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Não é outra coisa. O que pode ser diferente é o nosso estado de espírito.
A diferença é como estamos no Natal que vai chegar. Se pensamos só nos presentes que vamos dar ou receber então é o Natal do consumo. Nada contra quem vai às compras, e nada contra quem faz comércio de seus produtos, paga impostos e dá empregos. Mas se o Natal se restringir a uma coisa acessória, então é como cair em um precipício. O Natal será assim só um vazio absoluto em nosso ser. Uma solidão no meio de uma multidão. E nada será mais desolador do que perder o real sentido do Natal, aquele Natal do menino filho de Deus que nasceu para modificar o nosso ser e transformar nossos corações.
As pessoas se inquietam, querem dar presentes, viajam para ver a família, enfeitam suas casas com lâmpadas brancas ou coloridas, há cantatas de Natal, as igrejas com seus fiéis se desdobram para realizar as visitas aos mais pobres, aos carentes e principalmente às crianças carentes. E por toda parte há gente arrumando um jeito de ajudar alguém.
Se o dia de Natal é exatamente 25 de dezembro não importa, não é o essencial. Mas, sim,lembrar e atualizar um memorial que todos os anos nos dá a certeza de que o menino Jesus nasce nos trazendo a esperança de um futuro melhor para todas as pessoas sem distinção. Ele abre seus braços a todos. E isto todos os anos. A diferença está no que pensamos do Natal e não em Jesus. Jesus é o mesmo sempre. A história de Jesus vem sendo trazida através dos séculos até nós fazendo as pessoas escreverem livros, peças de teatro, músicas e tantas outras atividades artísticas de muitos modos diferentes, mas nada muda a essência de sua vinda ao mundo.
E é no fundo do coração que ele nos toca e nos leva a aceitar a grandeza de uma criança pequenina nascida na adversidade de uma perseguição trazido ao mundo por uma mãe admirável e um pai adotivo zeloso. O filho de Deus nascido na pobreza para dizer ao mundo que devemos olhar para o próximo e dizer: "Irmão,estou aqui!"
Mas se nada disso faz sentido para alguém, o que dizer? Talvez seja melhor não dizer nada, apenas amar, pois o verdadeiro amor é aquele que compreende o outro, é o amor que acolhe o semelhante, é aquele que não exige troca nem recompensa, apenas ama. Isto é a essência do verdadeiro Natal: o verdadeiro amor.

Dailton Martins é comerciante em Londrina

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

mockup