CRÔNICA - Nascer e renascer
Eu não me lembro do dia em que nasci. Seria um fenômeno se eu me lembrasse. Porém, durante os mais de 40 anos que já vivi, eu me lembro de outros nascimentos meus.
Lembro de meu pai e minha mãe cuidando de mim quando eu era criança e estava doente e achava que ia morrer. Ali eu nasci.
Lembro do primeiro beijo e das pernas bambas, e aquela explosão no coração, achei de novo que ia morrer. Ali eu nasci mais uma vez.
Lembro da primeira desilusão amorosa. Eu tinha certeza de ter morrido, mas nasci.
Lembro do meu casamento, os passos trêmulos em direção ao altar, o coração na boca. Achei que não chegaria ao fim, que ia morrer. Não morri. Nasci para uma vida a dois.
Lembro o primeiro parto, toda dor e sofrimento... Ah, eu não ia aguentar, ia morrer de tanta expectativa. O que me salvou foi aquele rostinho, rosado e inocente. Morrer, pra que?...Tive dois outros momentos desses...
Lembro quando meu pai morreu. Naquele dia eu sei que morri um pouco, mas só um pouco.
Lembro de tantas coisas que poderiam ter me matado. Até um câncer que tive há alguns anos, mas que engraçado, ele não me matou. Ele me fez nascer mais uma vez. Ele, e tantos destes momentos, uns tristes, outros felizes, só me fizeram renascer muitas vezes.
Hoje, quando penso em cada momento que já passei... Penso que viver é muito bom. O amor, o aconchego, os beijos, os abraços, o sol, a chuva... Tudo isso é renascer, é viver.
Deyse Chagas Sêga é dona de casa e mora em Cianorte





