CRÔNICA - Minhas sandálias conversíveis
Lendo a crônica de quarta-feira (''Os chinelos da minha avó'', publicada em 10 de novembro), lembrei-me das minhas sandálias de tiras em camurça marinho
Menina pobre, na casa da tia para estudar, também ria, cantava, brincava e passeava
Aniversário? Roupa cuidadinha, fita no cabelo e para calçar? Sandália azul-marinho
Casamento? Vestido simples, confecção própria e a sandália marinho com cola nas tiras e purpurina prateada Linda!
Formatura? Vestido feito por mim à noite, depois dos afazeres e estudos, babados plissados, laços e a sandália de tiras forrada com tecido do vestido Original!
Inauguração do Tênis Club de São Carlos, majestoso, na praça principal? Convidada para declamar uns versos?!
O jeito era dar mais aulas particulares, arrumar mais cabelos e unhas e ir, muito feliz até à Casa Leão para comprar (a prazo), organza, tafetá, veludo para florzinhas e vamos criar, cortar, confeccionar e para os pés?! as sandálias conversíveis agora lavadas, recauchutadas, cola e purpurina dourada! Realeza!
Como pisando em nuvens lá ia eu de táxi, com os primos, como se fosse uma princesa, rica de juventude e alegria!
Como dançaram essa minhas sandálias! Como enfeitaram meus jovens pés! Nada ficaram a dever às sandálias das vitrines
Como foi boa e romântica nossa vida!
Que saudade tenho eu das minhas sandálias conversíveis!
MARA (pseudônimo) é professora aposentada em Londrina





