O amor e suas diversidades, é assim que as relações acontecem, se fundem e se fortalecem. Alguns dizem que os dispostos se atraem e os opostos se distraem e acredito que isso seja bem verdadeiro, para encontrar a pessoa amada é preciso disposição, não de estar preparado, mas de querer. E foi num dia de janeiro que tudo começou...
Passadas as festividades que encerram o ano inicia-se o próximo com expectativas diversas, dentre elas para os que estão solteiros a de chegar ao próximo dia 12 de junho acompanhado, parece um esquema lunático mas atire a primeira pedra quem nunca sequer pensou nisso ao iniciar um novo ano.
Estavam os dois perdidos e soltos nas redes sociais, a modernidade pode nos proporcionar momentos jamais pensados ou até mesmo ultrapassando a lógica dos mais tradicionais, mas o que faz mesmo sentido é que o amor nasce ao ser regado e a fonte de onde vem esta água só quem faz parte do jardim é que compreende os minerais. Pois bem, meio conhecidos e há tempos desencontrados, olham-se dentre as fotos e um adicionar acontece, uma conversa regrada a palavras sem jeito e uma vontade imensa de desvendar o outro, ele já se mostrando completamente interessado e apaixonado, ela mais cautelosa mas não menos curiosa e feliz com o esperado inesperado.
Conversas, palavras, telefonemas, SMS e um bocado de 'boa noites', não é só a internet que os mantém longe as cidades também, decidem apostar e se conhecer no carnaval. À primeira vista se parecem menos do que imaginavam, ela que só escuta Tom Jobim se depara com um homem que usa camiseta preta escrito Metallica, ela que nem sabe nada da banda, só a conhece de nome, começa a se interessar pelas letras leves e melódicas que a banda oferece; ele aos poucos demonstra uma delicadeza trovadora, daquelas que só se vê em filmes com serenata.
Com o surgimento do amor o propósito de chegar ao dia 12 de junho acompanhados parece real e a diferença musical torna-se uma bela sinfonia que podemos dizer que o amor nem sempre ou na verdade quase nunca é tão óbvio como nos contos, e que uma poesia eletrizante pode ser muito mais empolgante e surpreendente que aguardar sempre o óbvio. Acredito mesmo é que devemos sempre estar de caso com o acaso porque via de regra o que é planejado em nossa vida são apenas os dias do calendário, pois sem que precise do nosso aval ele acontece.

Rafaela Bonezzi Junqueira Scicchitano é secretária executiva em Londrina

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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