Quando a luz vermelha acende a 'coisa' fica séria. Está no ar. Aliás, está escrito: ''No Ar'', e então o locutor fala para no mínimo a população da sua cidade. O programa é ao vivo e como a gente sabe, se falar errado e/ou cometer gafe ''já era'', aí não tem volta.
- Teve algum episódio, alguma vez em que você falou alguma palavra errada? - indagou certa vez um amigo.
- Claro que sim. Acontece infelizmente com frequência. A estratégia é, no ato, se corrigir. Sem delongas.
Esse curto diálogo lembrou-me de um fato que não teve conserto. Por mais que eu quisera consertar não teria como. Com o tempo a gente se acostuma a falar sozinho literalmente - porque rádio no fundo é ''falar pra ninguém e ao mesmo tempo pra um milhão''. Se cochilarmos um minuto esquecemo-nos da bendita luzinha vermelha - e olha que ela é bem grande.
Ocorrência policial falava de um acidente ocorrido em determinado trecho da rodovia federal em que duas mulheres se machucaram sem muita gravidade. O problema é que o locutor aqui se esqueceu de revisar o texto que recebeu e ele (o texto), tinha um grave erro gramatical, dizia: ''As jovens tiveram ferimentos leves. 'Ambas as duas' passam bem''.
Eu tava no ar e li infelizmente do jeito que estava escrito. Não resisti e logo após mandei: ''Puts, ambas as duas é F...''.
Tudo no ar, tudo ao vivo.
Não sei o que foi pior, o ''ambas as duas'' ou o ''F...'', que me rendeu um belo puxão de orelhas.
Coisas que acontecem no rádio!!!

Tony Lima é radialista em Jacarezinho

mockup