CRÔNICA - Limoeiro
Tudo começou em 1960, nascido naquele lugar que até hoje é um bairro rural de Londrina e algum tempo depois, com a mudança de meus pais para a cidade, fomos morar no Bairro Bom Retiro (Centro Social Urbano Londrina).
Poucos anos depois da morte de meu pai, em 1965, e uma dificuldade financeira muito grande de minha mãe, fui morar com alguns parentes e que alguns permanecem até hoje morando naquele lugar. Daí comecei a desfrutar daquele que para mim seria um paraíso de estradas de terra batida, empoeirada, barro quando chovia, onde caminhava descalço o dia inteiro. Subia todos os dias de manhã naqueles morros ainda molhados pelo orvalho à busca de algumas vacas que não desciam de madrugada para que meu saudoso Tio Zequinha pudesse ordenhar as mesmas.
Mas como criança a caminho da adolescência, não podia deixar de subir nos pés de frutas que havia para apanhar algumas que ainda restavam, e lá em cima mesmo degustava aquela saborosa fruta madura ainda de manhã.
Em épocas de enchentes no Rio Limoeiro, nas madrugadas escuras, a minha saudosa tia Emerenciana me acordava e me mandava ir até a beira do rio. Sentia um grande medo de caminhar pelos pastos naquela escuridão, armar as peneiras para que pudéssemos pegar peixes. Naquela época sem poluição das águas pegávamos grandes quantidades de peixes - Bagres, Mandís, Traíras - a ponto de que enchíamos sacos e baldes de peixes para que pudéssemos transportá-los. E algumas vezes nadávamos a ponto de muitas vezes engolirmos aquelas águas sem culpa.
Grandes bailes até as madrugadas, festas no barracão da Igreja, jogos de futebol - este eu tentei, mas devido à grande ruindade pouco me deixavam jogar, ficava sentado no barranco aguardando.
Épocas em que os moradores se cumprimentavam, vizinhos quando abatiam um porco repartiam entre eles aquelas carnes, pamonhas e outros. Bons tempos aqueles.
Hoje não existem mais peixes, as vacas se acabaram, a estrada empoeirada e barrenta deu espaço para o asfalto, os meus tios partiram para outra vida, os morros é que ainda permanecem do mesmo jeito, amigos parentes muitos foram embora. Hoje só saudades.
Antonio José Rodrigues é assistente administrativo em Londrina





