Ela tinha apenas quinze anos, mas viu uma pessoa por quem sentia ternura e afeto, tornar-se seu carcereiro, torturador e executor. Viveu cem horas de angústia e terror, e viu uma sociedade estarrecida acompanhar seu sofrimento.
Ela tinha apenas quinze anos e viu seu primeiro amor transformar-se em medo, ódio, insanidade e morte, porém tornou-se uma heroína ao salvar várias vidas doando seus órgãos.
Ela tinha apenas quinze anos e tornou-se o símbolo de uma juventude que implora por socorro. E o socorro não vem.
A sociedade perplexa procura os culpados. Seria a polícia despreparada? Seria a intervenção da imprensa? A negligência dos pais? O descaso dos nossos governantes? Ou a própria sociedade que cada vez mais incentiva a competitividade e não ensina os jovens a lidarem com o insucesso?
Não serei eu a responder tais perguntas. Ninguém responderá. Eloá não é um caso isolado. Milhares de jovens morrem em silêncio diariamente. Um garoto de doze anos sangrou até a morte ao cortar os pulsos, trancado no banheiro da escola. A notícia não teve repercussão, a instituição escolar teve sua integridade protegida. Um jovem de quatorze anos enforcou-se no quintal de casa. Nenhuma nota no jornal. E o que diríamos dos jovens que abusam da bebida alcoólica e transformam seus veículos em armas letais? Dos meninos de rua viciados em crack, que roubam e matam em troca de moedas? Algo tão trivial... Você passou por um desses garotos ontem, mas não viu.
Vivemos em um país cada vez mais triste, onde os jovens estão se destruindo. Não busque repostas, as perguntas são vãs. Observe seu filho, aproxime-se, mesmo que não tenha nada a dizer, abrace-o, mesmo que esse ato cause surpresa, mesmo que cause alguma aversão. Abrace-o forte, pois você nunca poderá prever o momento que ele sairá da porta de sua casa e nunca mais voltará.

RICARDO CHAGAS é estudante de Letras da Faculdade Univale de Ivaiporã

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