CRÔNICA - Já tive mulheres...
Sempre vivi cercado de mulheres (no bom sentido, caso os invejosos de plantão digam que estou me achando). Sempre fui acordado por mulheres, comi bolos, tortas, pães e doces feitos por mulheres, sempre fui beijado por mulheres, abraçado por mulheres, recebi carinho de mulheres. E repito, tudo isso está sendo dito no bom sentido, por uma boa razão, da grande presença de mulheres em minha vida.
A começar pela magnífica mulher que foi minha bisavó, ela e sua enorme coragem de trazer ao mundo cinco mulheres impressionantemente guerreiras. Sim, em toda sua vida ela teve cinco filhas, todas as cinco, mulheres. Entre elas, minha avó, outra grande mulher que, mesmo com muitas dores me carregou no colo, me deu banho, trocou minha fralda, me fez dormir, aguentou meu choro, minha manhas e ainda um adolescente revoltado e impaciente anos mais tarde.
Essas duas incríveis mulheres infelizmente não demoraram para partir, entretanto tantas e tantas mulheres continuaram a surgir em minha vida... primeiro, uma inesperada gravidez de minha mãe, outra mulher extremamente corajosa para enfrentar um parto quase aos quarenta anos, e quando as certezas do fim de meu império como único herdeiro estavam quase concretas, eis que surge outra mulher, a mulher-irmã, uma mulher mais nova, que talvez agora eu pudesse dominar.
Entretanto, mais uma vez o destino colocou-me sob os cuidados de uma mulher, pois justamente uma mulher conseguiu enfraquecer minhas pernas e meu coração e aos poucos eu me vi não só envolvido, como completamente bobo e vítima dos encantos de... uma mulher. E ainda sob os avisos de todos e o medo incessante desse mundo desconhecido e nebuloso chamado casamento eu só pude enfrentá-lo ao lado de uma mulher, dessa vez minha mulher.
Não me arrisco a contar as noites em que passei acordado ao vê-la engordando cada vez mais, aguentando o peso de um bebê, os enjoos de uma gravidez e um homem, que mesmo tão cercado de mulheres, ainda parecia um menino bobo. Mas, se minha vida teve um momento mais emocionante e inexplicável, nada se compara ao dia em que vi, pela primeira vez, meu lindo filho em seus braços e a grande, porém não tão grande assim, surpresa ao ouvir "Parabéns, papai! Uma linda mulher!".
Enfim, acho que nasci para viver com elas, para amá-las, respeitá-las, irritá-las e ser tão grandiosamente abençoado com as tantas mulheres de minha vida. Sexo frágil? Nem me atrevo a dizer! E se alguma dessas mulheres estiver com o texto em mãos?
Mônica Chagas Ferreira é estudante em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





