Empurrado pelos amigos, que não admitiam o meu antiquado celular, fui comprar um smartphone, daqueles que fazem de tudo: dão acesso à internet, transmitem e recebem e-mails, tiram fotos em alta resolução, servem de GPS, dizem se vai chover, trocam fralda de neném e, por incrível que pareça, também servem como telefone.
Com muito esforço, aprendi a manusear alguns desses recursos e o mundo pareceu ficar menor, cabendo na palma da mão. Poder responder aos e-mails de clientes em qualquer lugar e pelo próprio aparelho foi uma mão na roda. O notebook passou a ser usado só para as grandes tarefas, como o redigir petições. Já nem usava mais máquina fotográfica. Bastava um clique no próprio celular. A tela sensível ao toque dispensava qualquer esforço para acessar o mundo.
Estava gostando da brincadeira quando, sem qualquer explicação, o danado simplesmente apagou. E não voltou mais. Os amigos começaram a reclamar que não atendia o telefone. A mulher chegou a desconfiar do meu sumiço. Era mesmo incompreensível que um celular novo, de última geração, não estivesse funcionando.
Feita a reclamação na operadora que me vendeu o produto, esperei mais de 30 dias, depois de inúmeros protocolos pelo 0800, para receber um código que me permitiu abrir o chamado de assistência técnica, porque ainda estava na garantia. E só consegui vencer essa etapa depois que minha secretária (eu já tinha perdido a paciência para aguentar o lenga-lenga do teleatendimento) fez a queixa no Procon. O aparelho foi então finalmente entregue para o conserto. E está lá até agora, sem notícias. Dizem que vão trocá-lo por um novo. Estou esperando.
Enquanto isso, para não ficar desconectado, comprei um celular provisório. Minha filha achou um horror (''É muito feio, papai''), mas é melhor que o outro. Não bate fotos, não tem internet, não tem aplicativos, não é bonito, mas... funciona. A bateria dura uma semana e está sempre em serviço, fazendo e recebendo ligações sem qualquer problema. Já caiu três vezes e não quebrou. Já tomou chuva e continua operando.
Ainda não sei qual será o destino dele quando o iPhone se recuperar ou for trocado por outro. Mas estou retomando aos poucos o velho hábito de usar o celular apenas para... telefonar.

Júlio Cesar Rodrigues é advogado em Arapongas

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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