Em que pese a época ser denominada Era da Comunicação, a relação entre as pessoas anda cada vez mais dividida e esparsa, provocando a incomunicabilidade.
Senão vejamos: estando num espaço limitado ou num mais amplo, o que vemos são pessoas, a maioria jovem, equipadas com dispositivos denominados MP (3, 4 etc.), portando e operando celulares, jogando ou navegando em outra parafernália tecnológica.
Nas residências, virou moda ter um aparelho de televisão em cada cômodo. Prática que isola os familiares e perde aquela essência de se eu amo, eu bem observo e, portanto, cuido bem. Assim, os integrantes da família tornam-se, cada qual, seres solitários pertencentes ao mesmo grupo. Estranho não?
Esses comportamentos que parecem caracterizar uma época tecnológica, penso eu, estão prejudicando as relações mais estreitas com as pessoas reais. Não que eu acredite ser a tecnologia a culpada de tudo, trata-se de um momento histórico em que as pessoas estão correndo freneticamente em busca do novo e, nesse meio, encontra-se a instituição familiar modificando-se.
Assim é que os jovens pouco ou nada se visitam porque estão "ligados" em qualquer aparelho tecnológico quase na totalidade do tempo que têm. Quanto aos pais e mães, ilhados pelo tempo ocupado pelas profissões e afazeres domésticos, tornam-se quase estranhos para os filhos, o mesmo ocorrendo com a maioria dos filhos em relação aos pais.
Assim, não há tempo para cultivar e conhecer VERDADEIRAMENTE: as amizades, os irmãos, os pais, a vida enfim. Desse modo é que os jovens, aturdidos com tantas inovações à disposição e quase sem ninguém que os oriente nas diversas áreas da vida, estão se perdendo ao tomarem decisões erradas ou equivocadas, as quais em muitas das vezes trazem resultados fatais.
De modo que posso afirmar que, quanto mais os aparelhos têm propiciado a comunicação, menos as pessoas têm realmente se comunicado. Tempos em que a falta ou inversão de valores encontra-se amplamente difundida.

Marina I. Beatriz Polonio é escritora em Cambé

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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