CRÔNICA - GENTE DE FÉ
Todos caminhavam em procissão...
Participavam homens, mulheres e crianças, patrões e empregados, fazendeiros e sitiantes, havia gente de todas as propriedades rurais da região e enquanto caminhavam, cantavam e rezavam o terço.
O sol das três horas da tarde era escaldante e a terra vermelha que levantava do chão empoeirava tanto os calçados quanto os pés descalços bem como grudava nas roupas daqueles corpos suados.
Há muito tempo não chovia e a paisagem que se via era de vegetação seca, gado magro, árvores desfolhadas, plantações murchas e atacadas por pragas devido ao abandono das roças.
A caminhada era de aproximadamente cinco quilômetros e o destino era a Igreja da Aparecidinha na Babilônia, um pequeno patrimônio daquela região, o padre seguia à frente da procissão junto com algumas beatas e um camarada conduzia o carro de bois todo enfeitado e em destaque a linda imagem de Nossa Senhora.
Cantavam, rezavam e pediam sua intercessão junto a Jesus para que a chuva caísse.
Final de tarde a procissão chega a Aparecidinha e se junta a outras procissões que partiram de outras bandas.
Todos se apertavam dentro da majestosa igreja e muitos fiéis ficaram do lado de fora, mas acompanhavam as orações pelo som externo.
Clamavam pela misericórdia e bondade de Deus, e continuavam a cantar e orar.
A missa encerrou, o tempo fechou, o dia se fez noite e o barulho de trovoada anunciava a chegada da tão abençoada chuva.
As preces foram atendidas, ela chegou e caiu em forma de cascata transformando em lama a terra fofa do chão.
As crianças se divertiam, correndo descalças na lama e pulando a enxurrada enquanto os adultos se protegiam.
Comentou o Padre com um ministro:
- Realmente são ''Gente de Fé'', tinham certeza da chuva, pois até os guarda-chuvas trouxeram.
* Alcir Antonio Chiari, engenheiro agrônomo em Londrina





