Sentada em um pequeno banco, Ana espera impacientemente o irmão gêmeo, para irem ao colégio. Seus pais estão na cozinha tendo a mesma discussão que no mês passado, sobre a teoria dos átomos de Demócrito. Passos lentos ecoam atrás de Ana, que já estava preparando um discurso de reprovação pelo atraso do irmão, mas a expressão do rosto dele a fez ficar em silencio.
- Aconteceu de novo - disse Peter -, você não sentiu?
Ana tentava entender, aquilo não acontecia com eles há muito tempo, os pais fizeram de tudo, procuraram médicos, psicólogos, remédios naturais e mudavam sempre de cidade. Quando os irmãos Pretrace cresceram, os ataques se tornaram raros até agora. O que a deixava intrigada era o fato de só ele ter apagado, até aquele momento eram os dois que apagavam, na mesma hora, simplesmente sumiam, mas preferia usar a palavra apagar.
- Não que eu me lembre - disse Ana com um pouco de desdém, pois não queria deixar o irmão assustado.
Os dois ficaram sentados, como se nada mais existisse, cada um com seus olhos focados em diferentes infinitos inexistentes.
- Você não sentiu nada? Deveria ter sentido, antes de nós apagarmos, você sempre sente algo - disse Peter, enquanto se levantava - Ana, diz alguma coisa!
A irmã Pretrace parecia não ouvir, mas como se estivesse levado um choque, levantou do banco e foi em direção a casa.
- Desculpa Peter, é que hoje eu me esqueci de pegar minha bola de cristal na adega - disse ela, parando de repente - Ah, é, nós não temos uma adega!
Mas antes que o irmão pudesse protestar contra a ironia da irmã, os dois apagaram. Fazia muito frio. Ana estava parada em frente a uma catedral antiga, atravessou a rua correndo e passou seus olhos assustados no jornal que estava em cima de um banco, 2047, marcava a data. Sentou-se e colocou as mãos no bolso, "futuro, sempre vamos para o futuro!", pensou Ana com nojo.
- Ana! - uma voz doce, disse a assustada menina no banco, fazendo seus olhos procurarem quem havia dito aquilo, e eles pousaram em uma mulher alta, ao lado de Peter, que parecia mais assustado que a irm㠖 que bom que vocês chegaram a tempo, como está o passado? Vamos, temos muito o que conversar.

Thaynara Cristina Silva – Estudante de Ivaiporã (PR)

Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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