CRÔNICA - Feira Livre
Funcionando como centros culturais, de lazer e comércio popular, as feiras livres estão presentes na cultura do povo desde a época colonial e sobreviveram à modernização dos tempos.
Um ambiente de alegria e camaradagem, onde a relação entre vendedor e cliente foi transformada em amizade.
O colorido das frutas, verduras e legumes fresquinhos é de encher os olhos e o cheiro característico de cada um aguça o paladar.
Há também derivados de alguns gêneros animais: salames, linguiças defumadas, queijos e embutidos em geral.
Na barraca de cereais, a diversidade é muito grande e a de peixe fresco sempre tem boa freguesia. Mas lotada mesmo fica a de pastéis.
Aliás, tem gente que só vai à feira para se deliciar com pastéis fritos na hora e com algumas migalhas acaba premiando o cachorro vira lata, que também é frequentador daquele lugar.
Alguns prestam serviços; outros circulam, examinam, pechincham, compram e reveem amigos, tudo de forma harmoniosa.
Parece uma verdadeira bagunça, mas é tudo bem organizado, parecendo uma peça teatral em que todos os artistas entram em cena sabendo exatamente qual é o seu papel.
De todos esses atores, um chama a atenção, o violeiro!
Num banquinho no meio da feira, vai dedilhando sua viola e soltando a voz, sempre à espera de algum trocado por sua dedicação em tornar aquele ambiente ainda mais agradável.
Após muita cantoria, ele sempre encerra sua apresentação com o refrão já conhecido por todos ali:
- Quem fica, fica com Deus, eu vou com Nossa Senhora.
- Quem fica, fica com Deus, eu vou com Nossa Senhora.
E assim, mais uma manhã agradável e inesquecível do cotidiano brasileiro se passou, ficando a expectativa do próximo encontro.
Alcir Antonio Chiari, agrônomo em Londrina





