Olhem para eles, estão em toda parte. Nos barezinhos, nos cinemas, nas lojas, nos parques e restaurantes. Vão de bicicleta, metrô, carro, moto, ônibus, a pé, e estão sempre gesticulando, rindo, fazendo caretas, falando sem parar. Parecem um monte de doidos conversando sozinhos e estou convencida de que não os trancam porque, ao se aproximar deles, pode ver-se aquele fino fio conectado a um par de audífonos enfiados nas orelhas que, por sua vez, vão até estes aparelhinhos mágicos sem os quais parece que não se pode mais viver: o celular, o smartphone, o tablet, e todos os outros que roubaram de nós o contato ao vivo, o abraço, o beijo, a voz presente e o sorriso e transformaram os relacionamentos em algo puramente virtual, sem envolvimento, sem proximidade, sem calor.

Os observo falando para um microfone e para ele mandar beijos, sorrisos, gestos e olhares e acabar o diálogo apertando uma tecla ao invés de uma mão, ou dar um abraço, uma piscada, um beijo... Será que desse jeito fica mais fácil? Será que faz mais sentido? Será que nos provoca menos medo do que olhar nos olhos do nosso interlocutor ou sentir seu contato?... Cada um com seu bichinho de estimação, carregando-lhe a bateria, baixando aplicativos, jogando, enviando mensagens vazias, assistindo filmes ao invés de olhar em sua volta e cumprimentar os vizinhos.

Loucos solitários que falam com o ar enquanto caminham, comem, estudam, fazem compras. E é tão esquisito e triste vê-los quando estão reunidos, porque parecem completamente isolados, cada um imerso no pequeno universo que seus aparelhinhos lhes proporcionam!... Mas eu não quero que um ringtone qualquer me chame! Nem ver as palavras de um amigo no visor do celular! Eu quero alguém de verdade!... Então, fala comigo!"

Paz Aldunate, professora de artes cênicas, escritora e artista plástica. Morando atualmente em Santiago, Chile

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