CRÔNICA - Eu algarismo
Sabe-se que alguns símbolos representam algarismos. Cada algarismo tem uma aparência, uma forma e um valor. Individualmente cada algarismo tem um valor definido. Por exemplo: "5" vale cinco; "8" vale oito. Nem mais, nem menos. Individualmente, o algarismo (9) nove é o que tem maior valor. E tem o (0) zero que não vale nada.
O interessante é que se começar a formar grupos, ou seja, se um algarismo juntar-se a outro, os valores sofrerão mudanças para mais ou para menos. Um 9, por exemplo, que sozinho detém o maior valor, ao juntar-se ao "1" poderá ter seu valor aumentado em até dez vezes. E se ambos se juntarem a mais um algarismo, independente da sua forma ou valor, o valor de todos juntos poderá ser até cem vezes maior. Unindo-se mais um algarismo aumenta-se em quase mil vezes o seu valor. Assim, nessa progressão, infinitamente.
Mas também tem a união que provoca a perda de valor. Por exemplo: quando o (8) oito se junta com o (0) zero, que "nada vale", e permite que ele, o zero, junto com uma insignificante vírgula, comande a união, ou seja, se posicionando antes (0,8), o oito passará a ter valor menor que o um. Por outro lado, se o oito comandar (80), terão, juntos, um valor muito maior.
Note-se que nenhum algarismo perdeu sua forma ou seu tipo. Sua forma ou tipo foi respeitado. O que mudou foi o valor representado pela união. Veja que mesmo que os algarismos fossem escritos cada um com uma cor, ainda assim, os valores não mudariam, permaneceriam os valores da união.
Assim são as pessoas. Individualmente cada uma tem um valor, porém, limitado. Quando uma pessoa se une a outras, respeitando sua forma, jeito, cor, enfim suas características individuais, podem infinitamente alterar seus valores.
Quando uma pessoa, qualquer que seja seu valor individual, juntar-se a outra que "nada vale" considerando que a sociedade acha que tem pessoas que não valem nada -, porém sabendo posicionar-se, colocando-se antes e orientando com bons exemplos, estará certamente aumentando o valor de ambas. Mas se deixar-se levar pela que "nada vale", terá seu próprio valor diminuído.
Quanto mais os homens souberem do seu próprio valor, respeitar o valor e as características individuais dos outros e promover mais e mais união, maior será o valor da humanidade.
Luiz Gonzaga de Melo é professor e assessor pedagógico em Ibaiti (PR)
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





