CRÔNICA - Educação dos sonhos
Sentado e a folhear as extensas páginas de um jornal diário, sou, automaticamente, levado a relembrar do meu mais recente sonho. Em poucas horas, visitei uma civilização onde a educação não era apenas prioridade, mas o bem mais precioso. Lá os índices de analfabetismo beiravam a zero, pagar para ter um ensino de qualidade era considerado um crime. Ali, pude conhecer estudantes realmente conscientes, pois o principal objetivo girava em torno da formação crítica.
Eu estava em uma cidade em que sempre imaginei, porém nunca, até o momento, tivera a oportunidade de conhecer. Lembro que senti uma emoção inesquecível ao descobrir tamanha a qualidade do ensino. Via de longe os sorrisos dos professores, que denunciavam a satisfação ao serem respeitados e valorizados por seu trabalho. Os estudantes acompanhavam vidrados cada palavra pronunciada por seu mestre que, como joão-de-barro, que aos poucos vão construindo sua morada, ele, por meio do conhecimento, ia formando verdadeiros cidadãos.
Diante daquela realidade, pude deduzir que, naquela civilização, jamais existiu greves de professores, insatisfação salarial, corte de recursos da educação. A palavra cotas tinha sido extinguida do vocabulário há muitos anos, pois os estudantes pobres, negros, ricos, tinham a mesma qualidade de ensino.
Em frente às páginas do jornal, o meu sonho é contaminado pelas mais recentes notícias dos descasos não só com a educação, mas também com professores e com funcionários. É inacreditável que estes profissionais tenham de fazer uso de greves e de manifestações para exigir o que devem receber por direito. Fecho as páginas do periódico com ódio, ressentimento e com verdadeiro desconforto; no entanto, carregando, no mais fundo do meu ser, a esperança da renovação, torcendo para que um dia a cidade que visitei, em sonho, torne-se a minha, a sua, a nossa realidade.
Leandro Brito é estudante de Jornalismo em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





