CRÔNICA - Dúvida cruel
Semana passada encontrei Nicola, um velho amigo que eu não via há tempos. Depois de um abraço cordial e algumas reminiscências ele começou a fazer conjecturas sobre difícil situação econômica/financeira que atravessa nosso país.
Depois de algumas considerações olhando de soslaio, perguntou: "Se o governo pagou no último dia do ano de 2015 alguns bilhões para saldar pedaladas dos anos 13/14/15 é porque tinha dinheiro guardado. Então por que não amortizou suas dívidas e deixou de pagar uma montanha de juros? Onde estava este dinheiro que ninguém sabia? Se o governo pagou é porque pedalou em 2014, ou seja, obrigou a bancos oficiais a pagar, no ano da eleição, suas dívidas inclusive o Bolsa Família. Todos nós sabemos que uma grande parte das pessoas que recebe este benefício vota cegamente no partido, pois uma semana antes da eleição começaram a correr propaganda que se o adversário ganhasse a eleição o projeto seria cortado e eles não mais receberiam estes proventos. Portanto se o governo se manteve no poder por uma pequena margem de votos, estes sufrágios podem ter sido dados por este motivo - o que torna a eleição inválida".
Vou contra argumentar e o painel eletrônico chama o número de meu amigo que num movimento lépido se dirige ao caixa e com um aceno de mão se despede.
Edson Medardo Scarchetti é bacharel em teologia em Londrina
Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].





