CRÔNICA - Diversidade
Fico por longos momentos observando a folhagem das árvores em frente à janela. O vento passa por cada galho, por cada folha e cada flor e cada uma delas reage de maneira diferente ao seu toque. O que vejo é a folhagem balançando harmoniosa e ritmicamente, mas se observar com mais atenção, consigo perceber o movimento individual de cada folha que, mesmo sendo diferente, não quebra a fluência do movimento total. A individualidade do movimento se deve a que cada elemento está numa posição diferente com respeito à corrente de ar, então, mesmo que o vento seja um só, cada folha ou flor que é tocada por ele, se moverá de uma forma totalmente peculiar... Então penso em nós, seres humanos, e em como podemos ter mil sensações, impressões ou visões diferentes sobre um mesmo acontecimento ou pessoa, pelo fato de encontrar-nos em diferentes estados de espírito, por temos diferentes bagagens, idades, culturas, sexos, intenções e expectativas. Reflito novamente sobre como o todo é formado por muitos e percebo que a diversidade é a geradora da beleza que nos rodeia, pois cada movimento individual forma parte do movimento da vida, que sempre busca o equilíbrio, a evolução, a expansão. Quanto maior, mais diverso e rico, com mais possibilidades. Cada um possui a sua própria expressão, porém, todas elas nos levam ao crescimento, à transformação, ao conhecimento, à partilha.
Parece-me um milagre encantador e espantoso cada uma daquelas folhinhas executando a sua dança individual para criar a imagem da folhagem de um árvore em movimento!... A matéria não é feita de um só componente, mas de muitos, e a participação de todos eles é o que dá existência e consistência, personalidade a esta matéria. Me pergunto se com o nosso espírito é assim também. De quantos ''elementos'' ele poderia ser feito? De tudo aquilo que não é tangível, que não perece, que está ancorado no divino, no perfeito? Qual a diversidade que nos dá a personalidade, os sonhos, os pensamentos?... Acredito que parte do mistério da vida está no espírito e na diversidade de forças humanas e divinas que o sustentam.''
- Paz Aldunate é teatróloga e professora em Ibiporã





