A data comercial de 12 de junho em nada altera meu estado de ânimo por estar solteiro. Já foi-se o tempo em que lastimava-me quando nessa época estava sem namorada, noiva ou esposa. Já foi-se o tempo em que 12 de junho era uma navalha na alma. A gente aprende, a gente cresce e de repente vê que é melhor a solidão em paz do que a companhia tumultuada. Por que insistir em bater portão, chorar sobre um retrato, jogar panela no muro, fugir com o cachorro ou chamar a polícia?
A felicidade não se busca em um só dia, ela acontece quando você menos espera e onde nem imagina... deixe fluir como um rio e o peixe não morderá sua isca, pulará em seu barco, afinal o anzol machuca a boca... o amor, já disseram, é como sabonete molhado, quanto mais se aperta, mais escorrega... com a palma da mão aberta para cima ele não cai. Como a palma da mão, sinta seu coração aberto e prestativo, doe-se, ame a humanidade como um todo, simplesmente ame indistintamente; de uma panela a uma igreja, saiba amar como se fossem iguais mas diferentes, afinal as coisas são nomenclaturadas.
Nesse sábado, faça tudo diferente... quando estiver passeando por uma rua qualquer, deserta, peça para sua namorada, noiva ou esposa esperar um momento, arranque uma simples folha de árvore da calçada, ofereça a ela e diga que naquela película vegetal está depositada toda sua devoção, dedicação e apreço... aproveite a luz do poste e faça-a parecer o Sol... se ela deixar escorrer uma lágrima, não a contenha nem a enxugue, nenhuma chuva deve ser contida, apenas admirada e recebida.
Resumindo: vocês fazem parte do Universo e somos poeira dele, resquícios da criação de Deus... divirtam-se, amem-se, felicitem-se e mesmo que algum dia venham a não estar mais juntos, saibam que certos momentos passados são mais concretos que presentes abstratos...
Rick Dorth

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