O motorista sempre passava por aquela estrada, muito perigosa, principalmente quando a noite caía. Ele gostava mesmo era de dirigir durante o dia porque aquela região de serra era muito bonita, todavia o que ele mais gostava era dos produtos caseiros que as pessoas vendiam à beira da estrada. Sempre havia alguém que pedia que ele comprasse alguma coisa quando sabiam que ele passaria por ali.
Certa vez o seu caminhão teve um problema mecânico e por isso ele atrasou a viagem, chegando à região das serras já à noite. Ele estava cansado com o dia de trabalho, mas não poderia parar naquele lugar que parecia perigoso demais. Ao longe ele avistou um menino que acenou. Estranhamente o menino não demonstrava perigo, então resolveu parar o caminhão no acostamento.
Assim que parou o caminhão o pequeno menino de pé no chão se aproximando perguntou:
- O senhor quer parar o caminhão para descansar?
O motorista também perguntou:
- Será que não tem perigo?
A criança respondeu:
- Aqui não tem perigo, suba no caminhão e me siga.
Quando o caminhão saiu devagar para seguir o menino já estava bem longe. Seguindo o menino de longe o caminhão encostou em frente a uma pequena casa no pé da serra, já fora da rodovia onde o motorista dormiu.
No outro dia assim que acordou notou que ali era um pequeno barzinho e aproveitou para tomar um café. Quando estava tomando o café viu um par de chuteiras pequenas em cima do armário. Logo pensou em comprar aquela chuteira:
- Ontem à noite um menino com os pés no chão me mostrou o caminho até aqui para eu estacionar o caminhão e descansar.
O homem olhou para uma mulher que estava ali, mas nada disseram. O motorista por fim pediu um favor:
- Se eu comprasse este par de chuteiras o senhor poderia entregar para o menino que sempre vejo na rodovia perto da curva?
Para a surpresa do motorista o homem respondeu:
- Este par de chuteiras era do meu filho que foi atropelado e morreu na grande curva quando voltava de um jogo aqui perto.
O motorista sentiu que o menino que havia lhe ajudado era o filho do dono do barzinho. Depois disto, quase sempre que passava por ali parece que via um menino descalço correndo até sumir na grande curva, perto da casinha no pé da serra.
Moral da estória: ‘’Somos viajantes sempre à espera do recomeço’’.

Manoel José Rodrigues
é assistente administrativo em Alvorada do Sul

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